terça-feira, 27 de março de 2012

Um novo dia

No dia 1º de fevereiro estreei como jornalista. Arranjei um estágio em um grande jornal de Salvador. Mas tive que interromper o sonho bruscamente. Por causa de incompatibilidade do horário das aulas com o do estágio, fui dispensado no dia 20 de março.

Nesse tempo aprendi bastante. Fiquei lotado no site do Jornal, na editoria de Cultura, durante a semana. E entrei também nas escalas dos plantões de fim de semana. Sacrifício perder sábado ou domingo? De jeito nenhum. Nos plantões não existia divisões de editorias, todo mundo pegava o que aparecesse de mais urgência. Logo no meu primeiro plantão peguei o início da greve da polícia militar. Depois veio o carnaval, que pela grandeza e importância requer um planejamento especial para todos os setores que participam de alguma forma da festa. Além disso, tive também a cereja do bolo, que foi cobrir 2 jogos do campeonato baiano de futebol. Sendo que o último deles foi o BA-Vi, o maior clássico do futebol baiano.

A dispensa me deixou triste, mas a vida segue. Como diz Marcelo D2, em uma de suas letras “A vida é um eterno perde e ganha, um dia a gente perde, no outro a gente apanha. E nem por isso a gente vai fugir da luta...”.

E como tenho que preencher meu tempo ocioso, resolvi cobri jogos de futebol, do jeito que eu fazia no jornal: lance a lance no twitter e uma matéria do jogo.

Começarei hoje, dia 27, cobrindo um jogo das quartas de finais da Liga dos Campeões (que chique!). No cardápio de hoje tem Apoel x Real Madrid e Benfica x Chelsea. Escolhi o segundo jogo e explico o por que. Apoel x Real Madrid é o jogo mais fácil dessa fase da Liga dos Campeões. O Real Madrid tomo mundo conhece, ouve falar de sua força, do seu elenco multimilionário, enquanto que o pequeno Apoel do Chipre, é a maior surpresa da competição neste ano. Então é um jogo de gigantesco contra um nanico. Ao contrário de Benfica e Chelsea, que é um confronto parelho, de forças equivalentes. O Chelsea com o seu elenco de estrelas, mas a procura de um time, vindo de maus resultados no Campeonato Inglês, tentando sair da crise, depois que trocou técnico. Já o Benfica não tem estrelas, mas sim bons jogadores e um bom time, que pode muito bem dar o máximo de si e eliminar os Blues. Depois de 22 anos longe da semifinal, o Benfica espera quebrar esse tabu.

Por enquanto é isso. Logo mais começo a twittar o lance a lance de Benfica x Chelsea, mas claro que de olho no acontece em Apoel x Real Madrid. Estarei em @aragaoleandro no twitter, basta procurar e seguir.

Vou pegar um café e volto!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Duro como Aço

“Acontece que aquele ciganinho de fala mansa e tatuado era um campeão cigano de luta sem luvas, ou seja duro como aço”. O cigano desse monólogo é Mickey, personagem de Brad Pitt no ótimo filme Snatch – Porcos e Diamantes do diretor Guy Riychie. Mas essa descrição cai muito bem no nº 1 do mundo do tênis, Novac Djokovic.

Djokovic acaba de conquistar, pela terceira vez na carreira, o Aberto da Austrália. Ele encarou quase 6 horas de jogo contra o nº 2 do mundo, Rafael Nadal. A partida teve 5 sets (5/7, 6/4, 6/2, 6/7 (7-5) e 7/5). Para chegar na final, Djokovic enfrentou uma semifinal de mais de 4 horas contra o inglês Andy Murray, há 2 dias atrás. Isto é, o nº1 do mundo jogou mais de 10 horas nos últimos 2 dias.

A partida de hoje foi muito desgastante e exigiu ao máximo o preparo físico dos dois tenistas. Rafael Nadal é conhecido como monstro no mundo do tênis, não só pela habilidade e técnica, mas também na entrega dentro de quadra. Não importa em que set esteja ou quanto esteja o placar, ele vai em todas as bolas, o que transforma as partidas em verdadeiras batalhas físicas, além uma grande carga emocional nos adversários pelo jogo incansável. Djokovic soube controlar os nervos e duro como aço, aguentou todo o desgaste da partida e levantar a taça do primeiro Grand Slam do ano (apesar da dificuldade até em levantar a taça, tamanho foi o desgaste físico).

Novak Djokovic tem apenas 24 anos, isto é muito tempo demais pela frente e um corpo jovem para enfrentar outras 6 horas de partidas pela frente.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minha lembrança de Senna na Williams

A mídia exaltou a assinatura do contrato. A repórter gravou a reportagem da sede da Williams com o carro de nº2, de 94, de fundo. A internet pipocou de comentários nas redes sociais. Todos comemoraram o fato de um Senna voltar a dirigir um carro da Williams.

Sei que além de dar notícias, os jornalistas tem que se preocupar também em vendê-las em forma de matérias. Uma manchete ou um texto que atraia o interesse das pessoas ajudam a vender jornal e conseqüentemente atrair anúncios publicitários que é quem realmente paga o trabalho de uma redação inteira.

Lendo as notícias da contratação de Bruno Senna pela Williams não cai na vala comum de lembrar do acidente fatal em Ímola, num carro da equipe de Frank Williams. Relembrei do que eu vi do nome Senna na Fórmula 1, no carro branco e vermelho da McLaren.

Relembrei na rede social de Senna jogando o carro em cima de Prost no Japão e ficando com o título de 90. Relembrei também do título de 91 no qual, depois de um passeio, Senna cedeu a vitória ao seu companheiro de equipe Berger, no mesmo Japão. Relembrei a inesquecível ultrapassagem em cima da Williams de Damon Hill no GP do Brasil de 93. Da belíssima vitória em Donington Park no mesmo ano, cuja corrida mostrou um jovem garoto Rubens Barrichello andando em segundo lugar pela primeira vez na Fórmula 1.

E ele na Williams, tenho alguma lembrança? Sim, tenho. Não vi, mas li relatos. Nos testes de pré-temporada em Portugal no ano de 1994, o recém contratado Ayrton Senna levanta do carro e diz: “Porra, cagaram no carro bem na minha vez!”. O ‘Porra’ pode ter sido adaptação minha, mas o ‘cagaram’ foi o que eu li. E se você, leitor for bem mais novo do que eu, explico. Nos anos de 92 e 93, a Williams produziu carros imbatíveis, que muitos dizem que eram de outro planeta. Mas em 94 a FIA tirou toda a tecnologia dos carros que faziam a diferença para a Williams.

É essa a lembrança que tenho de Ayrton Senna na Williams.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Primeiro a diversão, depois a obrigação

Na minha infância, meu pai sempre dizia, primeiro você estuda e depois se diverte. Quando se é criança a única obrigação que se tem é passar de ano. Levando isso para a vida adulta, primeiro as obrigações, depois a diversão.

No meu entendimento sediar uma Copa do Mundo ou Olimpíadas é diversão para um país. Trazendo o ensinamento de meu pai, que não nenhuma invenção da roda, para um país primeiro as obrigações com seu povo e depois a diversão.

A revista Veja de 21/12/2011, traz um encarte produzido pela Placar intitulado “O Novo Futebol Brasileiro”. Dentre os assuntos abordados pelo encarte está as obras dos estádios que sediarão jogos da Copa no Brasil. Alguns estão sendo apenas reformados, outros foram demolidos para erguer um novo, enquanto que outros estão sendo construídos. O que chama atenção são os orçamentos estratosféricos dos estádios. Darei alguns exemplos para não estender demais o texto. O Maracanã, por exemplo, está sendo reformado e está orçado em R$ 884 milhões. A reforma do Mineirão custará R$ 695 milhões. Já o estádio Mané Garrincha, que mudará de nome e será chamado de Estádio Nacional, foi posto abaixo e o novo está sendo erguido por R$ 688 milhões. Quem está na mesma situação é o estádio da Fonte Nova, que também foi demolido e um novo custará R$ 597 milhões. O estádio que sediará a abertura da Copa está sendo construído, trata-se da Arena de São Paulo, que custará R$ 820 milhões e será “doado” para o Corinthians.

Obras do novo estádio da Fonte Nova

Essa farra dos estádios custará algo em torno dos 6,7 bilhões de reais aos cofres públicos. O curioso é que quando o Brasil foi anunciado sede da Copa do Mundo de 2014, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, deixou claro que as reformas e construções dos estádios teriam zero de dinheiro público, isto é, o setor privado financiaria a Copa do Mundo. Conversa para boi dormir. Na época, não acreditei nisso e escrevi esse texto logo após o anúncio.

O governo brasileiro está gastando 6,7 bilhões de reais numa diversão para estrangeiro ver. O custo do ingresso para um jogo da Copa do Mundo é muito alto para o bolso do brasileiro, por isso poucos terão acesso. Apesar do país se encontrar em pleno desenvolvimento e crescimento econômico, ainda temos inúmeros problemas de alto grau de importância para resolver, como educação, saúde e segurança.

O Brasil colocou a diversão na frente das obrigações. Gastará tubos de dinheiro para construir estádios, sendo que muitos deles virarão enormes elefantes brancos depois da Copa do Mundo. Esses tubos de dinheiro seriam de muito mais valia se fossem empregados na saúde precária do país ou no falido sistema educacional, por exemplo. Mas o governo brasileiro prefere varrer a sujeira pra debaixo do tapete e maquiar o país para mostrar pros gringos que o povo brasileiro adora futebol.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Triturador Azul Grená

Quando o Santos conquistou o seu primeiro título mundial diante do Benfica em 1962, Pelé já tinha batido a marca dos 1 mil gols. Ali o rei já era candidatíssimo a melhor jogador de todos os tempos. Encantava o mundo em todos os gramados que desfilava. E fazia do seu time quase imbatível.

No mundial de clubes de 2011, o Barcelona chegou como um time imbatível. Seríssimo candidato a melhor time de todos os tempos. Precisou apenas do primeiro tempo para trucidar o Santos e fazer 3 a 0 no placar. O Barcelona impôs seu estilo de jogo e os gols foram saindo naturalmente com Messi, num belo gol tocando com classe na saída do goleiro, Xavi e Fábregas. No segundo tempo, Messi fechou o placar fazendo seu segundo gol no gol, 4 a 0 Barcelona em cima do Santos.

O triturador azul grená conquistou seu 13º título, em 16 disputados nos últimos 3 anos. Nessa gestão Guardiola, o Barcelona perdeu apenas a Copa do Rei em 2010 para o Sevilla, a Liga dos Campeões de 2010 para a Inter de Milão e a última Copa do Rei para o rival Real Madrid. Fora essas 3 derrotas, o time catalão vem jogando em tal nível que está difícil de algum time no mundo fazer frente a ele. Nesta temporada, o Barcelona jogou contra 2 gigantes do futebol mundial, seu rival Real Madrid e todo poderoso Milan. Contra o Real, o jogo aconteceu em Madrid, no Santiago Bernabéu e Messi, Xavi, Fábregas e Cia viraram o jogo para 3 a 1. Já contra o Milan, também na casa do adversário, o Barça ganhou de 3 a 2.

O que impressiona no Barcelona é que o time não abre mão do seu estilo de jogo em ocasião alguma. Não importa o adversário que está do outro lado do campo, não importa o local do jogo (em casa ou fora), o time sempre vai tentar impor seu toque de bola. No jogo contra o Santos, Guardiola sabia quem era Neymar e do que ele é capaz de fazer dentro, mas mesmo assim não traçou um plano especial infalível para anular o jovem craque santista. Nas coletivas durante os dias que antecederam a partida, Cesc Fábregas falou o que o time faria para anular Neymar, “Se tivermos o controle da bola, não há Neymar”.

O Barcelona chegou a um patamar no futebol atual em que só existe ele. E não se pode dizer que falta adversário de qualidade. Real Madrid, Manchester United, Milan, Bayern de Munique são grandes times, com craques em seus elencos, além de serem comandados pelos melhores técnicos do mundo, mas não conseguem fazer frente ao Barça.

Ninguém conseguiu descobrir uma fórmula para parar o Barcelona. Que além de tudo, Guardiola não descansa mesmo com o time encantando. Ele sempre consegue mexer e mudar o time para continuar cada vez mais imbatível.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Os garotos de La Masía

Uma reportagem especial na Espn Brasil sobre La Masía, a fábrica de craques do Barcelona, me chamou bastante atenção numa parte. Ao serem perguntados sobre quanto tempo o time juvenil do Barça da geração, que se eu não estiver enganado, era de 87, ficou invicto. Nesse time juvenil estavam três garotos, Piqué, Messi e Fábregas. Os entrevistados eram Messi, Piqué, além de pessoas da comissão técnica. Messi e Piqué tiveram a mesma reação. Olharam como se fosse um número impossível de mensurar. E sem chegarem a um número preciso responderam dois, três, cinco anos...

Dos três garotos de La Masía, apenas Messi seguiu no clube e chegou ao time principal. Já Piqué transferiu-se para o Manchester United em 2004, além de passar uma temporada, 2006-2007 no Real Zaragoza. Depois do empréstimo retornou ao Manchester não conseguindo emplacar uma boa sequência de jogos até retornar a sua casa, o Camp Nou na temporada de 2008-2009.

Já Cesc Fábregas partiu de La Masía também para a Inglaterra como Piqué, mas para o Arsenal, time londrino. Sob o comando de Arsené Wenger, Fábregas tornou-se a estrela do time e recebeu a braçadeira de capitão. Cansado de disputar títulos com o Arsenal, mas sempre morrer na praia, conseguiu retornar ao Barcelona na atual temporada.

Juntos no primeiro clássico contra o Real Madrid pelo campeonato Espanhol, os três garotos de La Masía foram decisivos e importantes. Piqué foi muito bem na zaga, enquanto que Messi foi um monstro no ataque, fazendo a jogada no gol de empate de Alexis Sanchéz. Enquanto que Fábregas matou o jogo numa cabeçada no segundo pau, pegando um cruzamento de Daniel Alves.

As três crias de La Masía que aprenderam a jogar futebol, mas não conseguiram entender o significado de perder, continuam fazendo o que juntos faziam quando eram apenas garotos. Ganhar, ganhar, ganhar. E fecharam o placar contra o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, casa do rival, em 3 a 1. E de virada.

domingo, 13 de novembro de 2011

Viciado em vitórias

Sabe aquele aluno que só tira nota 10 nas provas e nos trabalhos? Que chega na metade da terceira unidade e já está passado de ano? Ele poderia relaxar na quarta unidade, estudar menos, brincar mais, mas ao invés disso, ele prefere continuar estudando como se estivesse na primeira unidade, começando o ano letivo atrás do objetivo que é passar de ano.

Se a Fórmula 1 fosse uma sala de aula, o aluno descrito acima, seria Sebastian Vettel. O piloto alemão, conquistou seu segundo título consecutivo com quatro corridas de antecedência. Vettel pulverizou seus concorrentes sem deixá-los respirar durante a temporada. Dos 18 grande prêmios disputados até aqui, o piloto da Red Bull terminou no topo da classificação em 11. Após o GP do Japão, no qual conquistou o título, Vettel ganhou as duas corridas seguintes, a da Coréia do Sul e a da Índia.

Na corrida de hoje, ainda em andamento neste momento em que escrevo esse texto, Vettel teve um problema na suspensão que fez um dos seus pneus estourar. O alemão rodou e saiu da prova na primeira curva. O detalhe é que ele tinha feito a pole-position no treino classificatório de ontem e estava mantendo a primeira colocação.

O curioso foi ver a cara de decepção do mais jovem bicampeão da história do esporte ao tirar o capacete e ir conversar com o engenheiro para entender o que aconteceu. Depois foi ver as imagens da sua saída da prova. Como um legítimo CDF, ele procurou entender os erros que o fizeram tirar 9,0 na prova e não 10.

Sebastian Vettel merece tudo o que conquistou até agora e pela empolgação a cada vitória, pole e análises quando a vitória não vem, indicam que sua vontade de ganhar está apenas no início. Vettel está se mostrando um viciado em vitórias. E pela habilidade no volante, tomara que instaure seu domínio no circo da Fórmula 1.